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Segundo o pesquisador, a fatia média apropriada pela Uber já supera 50% do valor desembolsado pelos usuários em diversas cidades americanas. O percentual representa uma evolução expressiva em relação aos últimos anos, quando a retenção girava em torno de 32% em 2022 e alcançava aproximadamente 42% em 2024. Procurada, a Uber nos EUA não comentou.
A mudança ocorre em um contexto de transformação do modelo de cobrança implementado pela empresa. Desde 2022, a plataforma passou a utilizar sistemas de precificação algorítmica para definir tanto as tarifas cobradas dos passageiros quanto os repasses destinados aos motoristas. Com isso, os valores deixaram de seguir parâmetros mais previsíveis e passaram a variar de acordo com uma série de fatores processados em tempo real.
Na avaliação de Sherman, esse modelo ampliou a distância entre o que o usuário paga pela corrida e o montante efetivamente recebido pelo condutor. Para o professor, a evolução das taxas coloca a Uber em um patamar distinto de outras empresas digitais que já enfrentaram questionamentos regulatórios por sua participação nas transações realizadas em suas plataformas. O pesquisador lembra que, nos primeiros anos de operação, a empresa promovia a atividade para motoristas destacando a possibilidade de retenção de cerca de 80% do valor das viagens.
Hoje, afirma, os registros disponíveis apontam uma realidade bastante diferente, com a companhia absorvendo mais da metade da receita gerada em diversas localidades. No Brasil, o debate sobre a distribuição dos ganhos também encontra respaldo em indicadores de rentabilidade dos motoristas. Dados levantados pela plataforma GigU revelam diferenças significativas de retorno financeiro entre regiões de um mesmo estado, evidenciando que a atividade pode apresentar resultados bastante distintos conforme o mercado atendido.
Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, o lucro médio por hora trabalhada alcança R$ 15,57, com margem de 43,6%. Já em cidades do noroeste paulista, o rendimento líquido recua para R$ 10,11 por hora, com margem de 33%. Considerando jornadas mensais de aproximadamente 200 horas, a diferença pode representar mais de R$ 1 mil no resultado final do trabalhador.
A disparidade também aparece em outros estados.
Em Minas
Gerais, a distância entre os ganhos registrados em Belo Horizonte e no Triângulo Mineiro chega a R$ 6,69 por hora. No Rio de Janeiro, motoristas da capital apresentam rendimentos quase duas vezes superiores aos observados em municípios do interior. Na Bahia, Salvador também concentra níveis de rentabilidade mais elevados em comparação a outras cidades do estado.
Para Luiz Gustavo
Neves, CEO da GigU,
os números refletem uma assimetria de informações inerente ao funcionamento das plataformas digitais. Segundo ele, os motoristas operam sem acesso aos mecanismos que determinam os preços das corridas, o que dificulta a compreensão sobre a formação de seus rendimentos e reduz a capacidade de avaliar se a remuneração recebida é compatível com o valor gerado pela atividade. Os dados reunidos por pesquisadores e empresas especializadas reforçam uma tendência observada no setor de mobilidade por aplicativo: à medida que os sistemas de precificação se tornam mais sofisticados, cresce também a complexidade para compreender como a receita é distribuída entre passageiros, motoristas e plataformas.
O resultado é um modelo em que a eficiência operacional caminha lado a lado com questionamentos sobre transparência, previsibilidade e equilíbrio econômico nas relações de trabalho mediadas por algoritmos. Deixe um comentário O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com Comentário Nome E-mail Outras notícias Indiana ManageEngine afirma que só 14% das empresas têm maturidade para adotar IA Parceria entre RZ3 e Sunbelt amplia acesso de empresas brasileiras ao mercado de M&A; A tecnologia só transforma a saúde quando há médicos muito bem preparados Tensão diplomática com EUA e Argentina eleva preocupação do setor produtivo Leia Mais Parceria entre RZ3 e Sunbelt amplia acesso de empresas brasileiras ao mercado de M&A; Natura é condenada pela Justiça por litigância de má-fé e manipulação de IA Edtech UpMat alcança 4 milhões de estudantes e projeta crescer 43% em 2026 ASSINE NOSSA NEWSLETTER E FIQUE POR DENTRO DAS PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO MERCADO Quer receber notícias pelo Whatsapp ou Telegram?
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