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Na avaliação de Vitor Lourencini, vice-presidente da Acorn Advisory, os dados indicam uma mudança no perfil do mercado, e não uma perda de interesse dos investidores. Segundo ele, os recursos continuam disponíveis, mas passaram a ser direcionados a companhias consideradas mais preparadas. “O que estamos vendo não é uma retração do mercado, mas um processo de filtragem. Tivemos menos deals, mas com um ticket bem maior.
Isso quer dizer que o capital continua disponível, porém direcionado para empresas com escala, governança estruturada e capacidade comprovada de geração de valor”, afirma. As operações de maior relevância ficaram concentradas nos segmentos de tecnologia, serviços financeiros, mercado imobiliário, energia, distribuição e varejo. Em comum,
esses negócios refletem a estratégia de empresas que buscam acelerar o crescimento por meio de aquisições, ao mesmo tempo em que fundos de private equity priorizam ativos de maior porte e com maior potencial de geração de valor.
O interesse de investidores internacionais também permaneceu elevado ao longo do semestre. De acordo com Lourencini, compradores da América do Norte e da Europa seguiram liderando aquisições no país, favorecidos pela combinação entre ativos negociados a preços mais atrativos em dólar e a expectativa de mudanças provocadas pela reforma tributária. “Apesar das incertezas macroeconômicas e do ambiente integral mais cauteloso, investidores da América do Norte e da Europa lideraram as aquisições, atraídos por valuations descontados em dólar e pela expectativa de uma reforma tributária à frente. Nesse contexto, o câmbio, que quase sempre aparece como vilão, virou trunfo para quem compra em moeda forte”, diz.
Na avaliação do executivo, a reforma tributária tende a se tornar um dos principais fatores de influência sobre o valor das empresas nos próximos anos. A transição para o novo sistema e a indefinição sobre a alíquota definitiva dos tributos aumentam o grau de incerteza nas avaliações de ativos. “A extinção gradual dos incentivos fiscais até 2033 e a não cumulatividade plena já separam os alvos em dois grupos: de um lado, empresas que dependem de incentivos e tendem a perder valuation; de outro, empresas em setores beneficiados, que viram ativos estratégicos”, afirma. Nesse contexto, Lourencini avalia que as maiores oportunidades continuam concentradas nas empresas de capital fechado.
Segundo ele, companhias familiares de médio porte que apresentam geração consistente de caixa,
estrutura financeira equilibrada e práticas mínimas de governança estão entre os ativos mais disputados por investidores estratégicos e fundos. Para o segundo semestre, a expectativa é de manutenção da seletividade nas negociações. A aproximação do calendário eleitoral e a perspectiva de juros ainda elevados tendem a reforçar a busca por empresas capazes de oferecer maior previsibilidade de resultados. “Em um cenário de custo de capital elevado, como o brasileiro, a previsibilidade se tornou um ativo valioso.
Investidores estão dispostos a pagar mais por empresas capazes de oferecer resultados estáveis e menor risco de execução. Assim, quem usou o primeiro semestre para arrumar governança e equilibrar a estrutura de capital chega nessa janela bem à frente de quem ainda está empurrando a decisão”, acrescenta. Deixe um comentário O seu endereço de e-mail não será publicado.
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